• Marcos Migues

Qual o impacto eleitoral no preço dos ativos no mercado financeiro?


Este vídeo tem objetivo meramente educacional e informativo


Esta é uma pergunta muito recorrente entre os clientes, especialmente em anos de eleições gerais. Antes de abordar o tema eleitoral, vale refletirmos sobre diferentes ativos financeiros e seus respectivos preços. No mercado de capitais existem inumeráveis instrumentos distintos de investimentos e cada um possui uma precificação específica. Para a nossa análise, vamos focar em três: taxa de câmbio, títulos públicos e bolsa de valores.


Para a taxa de câmbio vamos considerar a paridade entre o Dólar e o Real. Diversos fatores podem influenciar a direção da nossa moeda contra o dólar, hoje iremos focar em um dos principais, o “risco país”. Risco país é uma métrica que contempla variáveis econômicas e políticas, quanto pior a situação, maior o “risco país”. Em períodos em que o Brasil é visto como mais arriscado, menos dólares entram na nossa economia e essa escassez faz seu valor subir e o Real se desvalorizar.

Títulos públicos são uma forma do Tesouro Nacional captar recursos. Em períodos de mais risco os investidores só aceitam emprestar recursos para o Tesouro se a remuneração foi maior. Com isso, os títulos públicos que já existem em circulação se desvalorizam. Imagine um investidor que comprou um título do Tesouro Nacional que tenha uma rentabilidade de 10% ao ano, algum tempo depois da compra, o mesmo tesouro emite esse mesmo título com uma taxa de juros de 12% ao ano. O investidor que comprou a 10% viu seu título se desvalorizar.

A bolsa de valores é um mercado organizado onde é possível negociar ações das principais companhias nacionais. Se as perspectivas de lucro das companhias ou o ambiente econômico brasileiro melhoram a tendência é que as empresas ganham valor. Quando as empresas ganham valor a bolsa de valores sobe.

Tendo visto mecanismos que explicam a valorização ou a desvalorização de três conjuntos de preço podemos retomar a pergunta inicial. Partimos da premissa de que qualquer eleição, invariavelmente, traz incertezas e perspectivas de mudança no arcabouço legal e econômico.


Se tais mudanças foram compreendidas como negativas, certamente teremos um “risco pais” maior – o que leva a desvalorização do Real. O Tesouro Nacional só conseguirá empréstimos com taxas de juros mais altas, o que desvaloriza os títulos públicos em circulação. Não obstante, os investidores vão preferir não comprar ações o que desvaloriza a bolsa.

O ponto central e mais problemático da dinâmica eleitoral diz menos a respeito da disputa política em si e mais da institucionalidade, ou falta de, do país. Países como o Brasil ainda são jovens do ponto de vista de arcabouços de Estado, suprapartidários. Por esse motivo, as eleições ganham um peso muito grande e como consequência as perspectivas são mais voláteis e isso se reflete nos ativos financeiros. Contar com especialistas do mercado financeiro que conheçam a fundo os interesses dos clientes é sempre importante, e ainda mais mandatório em anos de eleições.


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Autor: Marcos Migues, mestre em macroeconomia, finanças e sócio da Jobin Investimentos.

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