• João Paulo Araújo

Diversificação de Investimentos: aliada x vilã!

Atualizado: 6 de abr.



Este conteúdo tem objetivo meramente educacional e informativo.


Um dos mantras mais repetidos (e consentidos) pelo mercado financeiro é o da diversificação como forma de diminuição de risco de uma carteira de investimentos. De fato, “não colocar todos os ovos em uma mesma cesta” é uma teoria válida, testada e premiada. É a tradução popular da Teoria das Carteiras, de Harry Markowitz, economista vencedor do Prêmio Nobel de Economia de 1990.


De forma resumida, Markowitz nos trouxe à luz um modelo onde, baseado na escolha de ativos com correlação negativa, poderíamos compor uma carteira de investimentos com maior retorno e menor risco. Termos como fronteira eficiente, risco não diversificável e risco diversificável compõe os diversos conceitos desta teoria que busca analisar a relação risco x retorno de um portfólio de investimentos.


Fazendo uma analogia com os esportes, pensem em um time de futebol: onze jogadores e onze posições que requerem caraterísticas distintas. Já imaginaram escalar um time com onze goleiros? Provável que a chance desta equipe perder seria maior do que a de vencer. A complementariedade de valências entre esses atletas, ajustadas às corretas posições em campo (dentre outros fatores) é que equilibrará o time, trará uma maior chance de sucesso e, portanto, um menor risco de derrota.


Já sabemos quão aliada é a diversificação para um portfólio, mas não nos atentamos quanto ela pode atrapalhar a eficiência de um resultado caso seja mal executada. E aqui não me refiro somente às escolhas de “jogadores certos para posições certas”, ou seja, ativos que se complementem. Falo de comportamentos observados, heurísticas, vieses cognitivos.


Heurísticas são atalhos mentais, respostas de bate-pronto que temos para questões complexas e que nos auxiliam nas tomadas de decisão. Por exemplo: “Como diversifico o risco da minha carteira?”. Nossa resposta mais óbvia é “diversificando ativos”. Partindo desta premissa começamos a diversificar, sem nos atentarmos à quantidade, qualidade e complementariedade; apenas acreditamos que isto trará mais eficiência. Em sua teoria, Markowitz também afirma que o risco diversificável deixa de ser reduzido pelo efeito da diversificação em determinado momento, ou seja, não adianta alocarmos em cada vez mais ativos somente com esse intuito.


É muito comum observarmos portfólios de clientes divididos em diversas instituições, dezenas, centenas de (bons e maus) ativos, excesso de classes de ativos e, ao questionarmos os “porquês”, nos deparamos com argumentos carregados de vieses: “Quero diversificar o risco entre as instituições”; “Quero comparar os resultados”. Na ânsia de obter mais retorno apenas para seguir um padrão criado por si (ou interpretado por si de maneira equivocada) percebemos com maior frequência um sentimento de desconforto com o resultado geral.


Clientes com muitas instituições, muitos ativos, muitas “verdades” carregam, geralmente, problemas de correlação de ativos. De nada adianta o portfólio da instituição X ser ótimo se ele não conversa com o da instituição Y ainda que ambas possuam bons ativos. É preciso que exista sinergia entre os ativos, pois a satisfação com resultado geral e a eficiência do portfólio requerem equilíbrio.


Com quantos “goleiros” seu time está em campo?


Autor: João Paulo Araújo, sócio fundador da Jobin Investimentos

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